Por Armando Lacerda;                                                                                                    20/10/2018

Assim como as águas que salvaram os judeus da escravidão foram as mesmas que dizimaram o exército do faraó, também se aplica tal bíblico paradoxo às águas do rio Taquari, se por um lado traz a riqueza ao Planalto é verdade que traz proporcional pobreza à parte inundada permanentemente da planície pantaneira.

Princípios e leis científicas definidas desde Arquimedes também aparentam ser paradoxais pois ao contrário do preconizado no senso literal, os movimentos isostáticos comprovam que quanto maior o alivio de sedimentos no Planalto, mais tal planalto elevar-se-á.

Após quarenta anos de desastre no Taquari necessitamos atingir um nivelamento informacional mínimo, tais como: a conservação de um rio pressupõe a conservação e não a destruição de suas margens ou uma agricultura no Planalto só poderá ser verdadeiramente sustentável considerando-¬se os efeitos das leis gravitacionais na Planície!

Tal como na fábula do lobo e do cordeiro, é impossível atribuir-se à inocente Planície a culpa do criminoso desastre, mantendo a lupina responsabilidade planaltina neste reiterado caso de Omissão de Socorro …

 Manoel de Barros dizia: “no Pantanal não é possível passar régua, sobre muito quando chove, pois régua pressupõe existidura de limites e o Pantanal não tem limites. ”

Verdade empírica ratificada pelos mestres Ab’Saber e Orlando Valverde ao definirem o Pantanal como um Complexo de Transição composto por inserções de todos os Biomas e Fitofisionomias brasileiros, informação infelizmente não considerada por muitos entes!

Com base no conhecimento empírico do poeta ou cientifico dos pesquisadores pode-se afirmar que mesmo que no Cerrado não tenha Pantanal, no Pantanal tem Cerrado. Toda ação no Planalto provoca uma reação na Planície! Assim precisamos racionalizar sobre algumas perguntas: a quem aproveita a destruição do Pantanal? Quem induziu? Quem determinou? Quem financiou? Quem quer manter invisível o sofrimento dos moradores do Pantanal? Quem maneja estas lucrativas Cadeias Produtivas? Os cidadãos e os consumidores foram informados corretamente?

Quantas e necessárias respostas a reiteradas ações que, a pretexto de salvação, nos sufoca e condena! Quanta omissão hipócrita que precisamos iluminar! Seja com a potência do bugio ou com a tristeza do carão, com a estridência dos arancuans ou a humildade da jaó, com os espinhos do mandacaru ou a beleza dos ipês, seguiremos tentando buscar instâncias humanas ou legais que possam entender a verdade que une poesia à razão: o Pantanal expõe, mas não impõe sua composição solidária com todos os Biomas do Brasil!

Armando Carlos Arruda de Lacerda, originado no amor canoeiro de Eudóxia Nunes Rondon de Arruda do Porto da Conceição e Pedrinho Lacerda do Porto Descalvado.

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