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SOLIDARIEDADE NA INDIFERENÇA

Por Armando Carlos Arruda de Lacerda;

Assim como as águas que salvaram os judeus da escravidão foram as mesmas que dizimaram o exército do faraó, também se aplica tal bíblico paradoxo às águas do rio Taquari, se por um lado traz a riqueza ao Planalto é verdade que traz proporcional pobreza à parte inundada permanentemente da planície pantaneira.

Princípios e leis científicas definidas desde Arquimedes também aparentam ser paradoxais pois ao contrário do preconizado no senso literal, os movimentos isostáticos comprovam que quanto maior o alivio de sedimentos no Planalto, mais tal planalto elevar-se-á.

Após quarenta anos de desastre no Taquari necessitamos atingir um nivelamento informacional mínimo, tais como: a conservação de um rio pressupõe a conservação e não a destruição de suas margens ou uma agricultura no Planalto só poderá ser verdadeiramente sustentável considerando-¬se os efeitos das leis gravitacionais na Planície!

Tal como na fábula do lobo e do cordeiro, é impossível atribuir-se à inocente Planície a culpa do criminoso desastre, mantendo a lupina responsabilidade planaltina neste reiterado caso de Omissão de Socorro …

 Manoel de Barros dizia: “no Pantanal não é possível passar régua, sobre muito quando chove, pois régua pressupõe existidura de limites e o Pantanal não tem limites. ”

Verdade empírica ratificada pelos mestres Ab’Saber e Orlando Valverde ao definirem o Pantanal como um Complexo de Transição composto por inserções de todos os Biomas e Fitofisionomias brasileiros, informação infelizmente não considerada por muitos entes!

Com base no conhecimento empírico do poeta ou cientifico dos pesquisadores pode-se afirmar que mesmo que no Cerrado não tenha Pantanal, no Pantanal tem Cerrado. Toda ação no Planalto provoca uma reação na Planície! Assim precisamos racionalizar sobre algumas perguntas: a quem aproveita a destruição do Pantanal? Quem induziu? Quem determinou? Quem financiou? Quem quer manter invisível o sofrimento dos moradores do Pantanal? Quem maneja estas lucrativas Cadeias Produtivas? Os cidadãos e os consumidores foram informados corretamente?

Quantas e necessárias respostas a reiteradas ações que, a pretexto de salvação, nos sufoca e condena! Quanta omissão hipócrita que precisamos iluminar! Seja com a potência do bugio ou com a tristeza do carão, com a estridência dos arancuans ou a humildade da jaó, com os espinhos do mandacaru ou a beleza dos ipês, seguiremos tentando buscar instâncias humanas ou legais que possam entender a verdade que une poesia à razão: o Pantanal expõe, mas não impõe sua composição solidária com todos os Biomas do Brasil!

*Armando Carlos Arruda de Lacerda, originado no amor canoeiro de Eudóxia Nunes Rondon de Arruda do Porto da Conceição e Pedrinho Lacerda do Porto Descalvado.

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